domingo, 29 de abril de 2012

Minotauro



Minotauro
Hordas de cisnes negros engolem os leigos da glória
as cinzas ainda estão a mercê da lua e quentes
sanguessugas do futuro de toda história
cavalos de pedra acalorados e dormentes

na noite que tudo vivo virar pó
os dentes da escuridão aniquilaram com classe
o coração do ateu que marcha só
clama pela fé crucial da sua face

no fundo do mar entre o céu e o inferno
é a morada do minotauro que devasta no coice
cheira a enxofre foi criado com veneno e leite materno
não escolhe os nomes mais tem o fio da foice

chuva torrencial lava nossos pecados
levandos fossos do inferno o chorume da coragem
no abismo dos pecados há lapides para os sagrados
a linha tênue do bem e o mal é o homem selvagem.

27/03/2011

                                                                Arthur Nett

Punhais com Asas





Punhais com Asas
Descobriu a prata dos punhais com asas
sobreviventes da escuridão cantão a glória
água benta e cruzes atição as brasas
relato devastador mantém sua memória

Caminha na estrada de cadáveres
o sangue pertence ao seu lado selvagem
anjo caído uiva calado aos ares
as ancas da bondade ouvem surdas a vertigem

recorrentes aos cervos das sombras
mestre do sistema de defesa dos fiéis
magos das sombras comem lares e as sobras
eleitos por justos escravos infiéis

Lúcifer domina o fruto proibido
senta no seu trono ao relento
o sábio fica calado e inibido
da varanda espera a luz do conhecimento.
Arthur Nett

28/03/2011

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Suspeito Zero



Suspeito Zero
Deixe as gotas de sol secarem
as velas sacras da nossa luz antiga
o fogo do teto paralelo a nossa coragem
aos meus beijos nasce sua cantiga

vejo tudo que você não enxerga
meu cheiro é o ritmo da sua carne
a terra afunda sobre sua fé cega
no magnífico jubileu do meu charme

escrevo as grades que te deixam solta
prisioneira rebelde e livre no meu festim
estrada de rubis que só tem volta
sou seu suspeito zero do começo ao fim

sou a corrente dos seus pés
sou a culpa que carrega nos lábios
você é meu último trem além das marés
soberano meu corpo reina nos seus lábios.

Arthur Nett
14/04/2011

Corro em Círculos




Corro em Círculos
Aprofundado no sinal vermelho
todos os dias corro em círculos
caindo inspirado na sua bravura no espelho
rumo velejando sentimentos pelos ventrículos

céu cinzento sonha em dormir
condolências aos enigmas dos nossos beijos
minha sombra te cobre até dormir
sou o fogo eterno dos seus desejos

minha pele de caçador na performance
do nosso jogo de cara e coroa
perigo sincero do nosso romance
projeção das notas da canção na nossa proa

o vento enforca minha gravata
espera minha palavra sincera
que arromba a porta da mata
do seu coração pulsante de cera.
Arthur Nett 12/04/2011

Calor do Sereno



Calor do Sereno
Escreverei duzentas cartas que duraram séculos
darão aula as tesouras do seu passado
juntos abalamos os mais importantes cenáculos
vaza de amor o seu coração arremessado

pegue minha mão e sinta o calor do sereno
do meu corpo inspirado no sabor do seu
a grande água do seu olho com veneno
convencido por seus laços de que tudo é meu

quando está comigo a terra afunda
o mar se abre calmo como um peregrino
caminho na nuvem mais alta e profunda
seu suspiro alcança e toca o sino

você tropeça no meu bigode de leite
sinto seu joelhos beijarem o chão
as notas da canção do seu corpo meu deleite
no recital perdida me ache no seu coração.


Arthur Nett 09/04/2011