quinta-feira, 19 de junho de 2014

Estaca



Estaca

A paixão envenena
meus ossos causando dor
uma bela menina
me deixou provar o amor

afiado como faca
abrindo as raízes do chão
o sangue envolto a estaca
no marco zero do coração

seus olhos tinham luxuria
eu sentia o seu desejo
queria seu corpo todo dia
e seu sangue no meu beijo

uma erva daninha
entre flores amarelas
sempre foi minha
a mais bela das belas.

Arthur Nett
16/03/2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

72 Legiões



72 Legiões

Uma vida inteira de água benta
ferido por cruzes
sua presa faminta
por muito tempo longe das luzes

suas vitimas querem sua morte
o sangue bebido e almas escapando pelos dedos
as trevas aguardam um momento de sorte
pra possuir meus segredos

uma passagem para o inferno
cada noite mais distante
72 legiões me fizeram eterno
não temo nada adiante

o homem mal
pensa ser horrível
mais eu sou sem igual
único e terrível.

Arthur Nett
10/03/2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

Tempo de Matar



Tempo de Matar

No cair da noite escura
é hora de acordar
o veludo perdura
o tempo de matar

a regia me transforma
em um assassino
o veneno conforma
o ponto final do destino

em linhas tortas
folhas inquietas de arvores negras
abrem as portas
do inferno queimando as regras

com sangue eu faço um lago
com os corpos a estrada
meu forte afago
faz com que se sinta amada.

Arthur Nett
26/03/2014

Morto




Morto

Alguns ficaram feridos
e eu estava morto
eles foram esquecidos
minha partida lhes deu conforto

passageira glória
em acabarem com um inimigo voraz
suas vidas alheias a história
perpetuaram comigo me tornando tenaz

suas vidas dizimadas
pela intrépida natureza
suas almas acabadas
dissipadas pela minha beleza

voltei conhecendo monstros
e com muita fome
os trouxeram aos meus encontros
no breu onde o homem celebre some.

Arthur Nett
26/03/2014

domingo, 15 de junho de 2014

Grotesco


Grotesco

As esperanças se vão
uivam sedentas por sangue
grotesco coração
onde seca o sangue

entoando uma canção
que desperta o monstro do monte
as rodovias de lagrimas passam
ficam onde será a fonte

de velas que arranham
o meu sombrio caminho
muitas almas me acompanham
mil braços e mesmo assim sou sozinho

machuca a solidão
no quinto grau do inferno
me sinto na sua mão
mesmo sendo eterno.

Arthur Nett
27/03/2014

sábado, 14 de junho de 2014

Cães Selvagens



Cães Selvagens

Liberto mais um corpo desova
o Sol começa a nascer
volto para cova
esperar o breu renascer

os mestres por baixo do chão
as margens da natureza
fizeram uma nação
com pilares de ossos de uma deusa

cães selvagens
sem nenhum dono
com umas aquarelas de sangue fizeram paisagens
da escuridão da noite sou o patrono

atraídos por um  coro de corvos
me servirão uma banquete sem tocar
suas garras imundas por sangue dos povos
na sobremesa terei dez virgens para me saciar.

Arthur Nett
04/03/2014




sexta-feira, 13 de junho de 2014

Noite Perdida



Noite Perdida

Uma noite perdida
longe por todo o tempo
acabou sem despedida
presa ao vento

fugindo da escoria
na luz do dia
morrendo pela honraria
em sentir minha extrema unção na hemorragia

eu estava esperando
a sua chegada
meus conflitos cicatrizando
seu passado te atraindo a minha morada

formamos felizes
um sanguinário casal
anoitecendo as cruzes
enegrecendo o dia celestial.

Arthur Nett
25/02/2014

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